Flores e sabores



Entre aromas, flores e especiarias, descobrimos que a cozinha também é um jardim. Cada tempero guarda uma história que começou muito antes de chegar ao nosso prato.


Para perceber um sabor, nossa boca faz uma importante parceria com o nariz. Ou melhor dizendo: paladar e olfato caminham sempre juntos.

Os elementos químicos responsáveis pelos sabores chegam até a cavidade nasal, enquanto nossa língua, recoberta por milhares de papilas gustativas, identifica as substâncias presentes nos alimentos e envia essas informações ao cérebro.

Hoje sabemos que nossos receptores reconhecem cinco sabores fundamentais: doce, salgado, azedo, amargo e umami, palavra japonesa que significa "gosto saboroso".

Também descobrimos que não existe um mapa rígido dos sabores na língua. Os botões gustativos distribuem-se praticamente por toda sua superfície, apenas com maior concentração nas laterais e na ponta.

Mas o que seria do nosso paladar sem os condimentos e as especiarias?

Foi justamente na ponta da língua que encontrei flores, frutos e árvores escondidos dentro dos nossos potes de tempero.


Pimenta-do-reino

Os grãos de pimenta são colhidos de uma trepadeira vigorosa.

Depois de secos, adquirem naturalmente sua coloração escura. A pimenta branca, por sua vez, passa por um processo de lavagem antes da secagem, o que lhe confere sabor mais delicado e perfumado.

Na Idade Média, a pimenta-do-reino chegou a valer tanto quanto moedas, sendo utilizada até mesmo para pagar impostos e honorários.


Cravo-da-Índia

O cravo-da-índia nasce em uma árvore que pode ultrapassar quinze metros de altura e viver mais de um século.

Os famosos cravinhos escuros que conhecemos são, na verdade, botões florais colhidos antes da abertura das flores.

Primeiro apresentam uma coloração amarelada.

Depois tornam-se avermelhados.

Só então são colhidos e secos.


Noz-moscada

A moscadeira pode atingir vinte metros de altura.

Seus frutos lembram pequenos damascos que, ao amadurecerem, se abrem revelando uma intensa cobertura vermelho-carmim envolvendo a semente.

Depois de seca ao sol, essa semente transforma-se na noz-moscada que conhecemos.


Canela

A canela é retirada da camada mais externa do tronco da caneleira.

Após o corte, as cascas secam ao sol e, naturalmente, enrolam-se formando os delicados canudos aromáticos que encontramos na cozinha.

Antes de perfumar bolos, doces e bebidas, a canela foi árvore, folha e flor.


Da próxima vez que abrir seus potinhos de tempero, talvez você os veja de outra maneira.

Ali, entre aromas e sabores, permanecem escondidas as dádivas da Mãe Natureza.

Cada pitada de canela, cada botão de cravo, cada grão de pimenta e cada noz-moscada carregam consigo a longa história de uma árvore, de uma flor ou de um fruto.

E talvez seja exatamente isso que torne nossos alimentos ainda mais especiais.


📚 Para saber mais

  • Botânica para Jardineiros — Brian Capon.
  • Larousse Gastronomique.
  • Publicações da EMBRAPA sobre plantas condimentares.
  • Banco de dados botânico do Royal Botanic Gardens, Kew. 

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