Flores e felicidade
Pequenas alegrias
Talvez a felicidade não seja um lugar aonde chegamos. Talvez seja apenas a delicada capacidade de perceber a beleza escondida nos instantes mais simples da vida.
Algumas felicidades chegam antes mesmo do primeiro gole de café.
Sem pretensões de definir o sentido filosófico, muito menos racional, do que se chama felicidade...
Quero apenas compartilhar sentimentos e intuições sobre minha consciência dessa emoção.
Felicidade.
O estado de quem está feliz.
Penso que estar feliz sem saber é diferente de sentir-se feliz tomando para si a plenitude dos momentos felizes.
Momentos felizes podem, sabiamente, resumir-se a acontecimentos corriqueiros e deliciosamente cotidianos.
Sentir o aroma de um café sendo coado.
Ouvir aquela música preferida.
Contemplar uma obra de arte.
Olhar seus filhos — suas maiores obras de arte.
Ou simplesmente receber um abraço forte e sincero da pessoa amada.
Para mim, felicidade é estar plenamente presente em qualquer momento de sua própria existência.
Em qualquer momento.
Mesmo naqueles aparentemente tristes, como estar em uma cama de hospital ou ao lado dela acompanhando alguém que amamos.
Entristecer-se não inviabiliza uma felicidade.
Numa cama de hospital podemos descobrir a verdadeira dimensão do amor que plantamos ao longo da vida.
E colher esse amor pode ser uma imensa felicidade, mesmo que, no instante seguinte, a realidade nos imponha dor e sofrimento.
Aí entra em ação nossa consciência.
E nossos sentidos.
Cada um deles nos conduz a um tipo diferente de felicidade.
Cada sentido nos oferece presentes discretos, daqueles que realmente não têm preço.
São as mais belas fotografias que nossa memória registra.
Imagens que não precisam ser compartilhadas nas redes sociais.
São compartilhadas, silenciosamente, com o Universo.
Aprendi, gota a gota, com minhas flores e meus florais, que a felicidade é a soma das minhas pequenas alegrias diárias.
Essa felicidade é interior.
Individual.
Única.
Por isso se torna tão difícil procurá-la exclusivamente nas circunstâncias externas ou esperar que ela dependa apenas de alguém.
O mundo ao nosso redor nos oferece felicidade o tempo todo.
Mas precisamos estar conectados conosco mesmos para percebê-la.
Talvez porque esse mundo exterior seja, ou pelo menos devesse ser, uma tradução daquilo que cultivamos por dentro.
Nossa cultura.
Nossos valores.
Nossa forma de viver.
Sinto essa felicidade tão comentada, tão buscada e, muitas vezes, tão exigida pela sociedade atual carregando um peso desnecessário.
O peso das grandes conquistas.
Do ouro.
Da prata.
Do tempo escravizado.
Precisamos libertar nosso tempo.
Nossa atenção.
Nosso coração.
Precisamos reaprender a sentir uma felicidade mais ampla.
Mais leve.
Mais verdadeira.
Libertar nossa racionalidade cartesiana para experimentar a felicidade de tomar um cafezinho com seu Deus todas as manhãs, observando as nuvens no céu e agradecendo por mais um dia de Vida.
Florida.
E feliz.
Pelo menos no meu caso.
A felicidade talvez seja apenas isto: sentar-se por alguns minutos e agradecer pela vida.
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